24 junho 2013

Regularizar terras? Como?

Esta é uma pergunta que intriga muita gente... mas porquê?
Quando se trabalha o conceito de cidadania se trabalha o universo dos direitos e deveres de todo o cidadão bem como seu relacionamento com a sociedade na qual se insere. Assim, definir cidadania em sua prática diária é visualizar a relação entre a efetivação de direitos e a aplicação de deveres no cotidiano social no qual tange todas as possibilidades sociais como reflexos da convivência social – um pacto entre as pessoas sem que seja mencionada qualquer palavra.Para se viver plenamente a cidadania deve-se ter, tanto cidadãos quanto Estado, o princípio da ética. Esta é uma palavra importante, pois confere a prática de comportamentos morais e sociais relevantes para a sociedade.
Contudo, nem sempre é possível vivenciar a cidadania, muitas vezes o mesmo direito adquirido esbarra juridicamente em empasses legais concebendo um entrave à efetivação da cidadania, resultando em uma sociedade não ética, pois não emerge de si mecanismos efetivos para a cidadania.Vamos citar aqui um exemplo delicado e ao mesmo tempo tão real e comum na comunidade rural.
A regularização de propriedades rurais segue, como as regularizações urbanas, os tramites legais com cumprimento de medidas e regras de legislações ambientais, cíveis e sociais. Contudo a dificuldade de definição de legislações ambientais tem retardado aregularização de diversos imóveis rurais. O empasse na regularização da terra desencadeia problemas com a sucessão hereditária daquela terra, limitando o então “proprietário” a expandir suas atividades rurais e adquirir status de agricultor rural/familiar.
Diante do exposto, o cidadão tem seu direito de posse fragilizado por empasses legais que geram barreiras para a efetivação da posse. Além disso, as dificuldades em regularizar a situação de posse no campo leva o então “proprietário” a deixar suas terras para adquirir condições financeiras de sobrevivência, sendo possivéis duas opções: trabalhar para terceiros (ao invés de se tornar autônomo) ou mudar para a cidade (êxodo rural) à procura de emprego – pois é necessário garantir a subsistência.
Como buscar um direito, mantendo deveres e não se efetivar nada... como pode-se exigir atitudes éticas se não há aparatos que sustentem os direitos e deveres do “cidadão”?
Muito tem que se pensar e se redefinir para se adequar à realidade, para que aqueles que necessitam tenham condições de ter direitos garantidos e deveres passíveis de materialização.
A regularização da terra permite ao cidadão o direito de posse, a efetividade de sua ética junto ao Estado e a garantia de que o patrimônio familiar está sendo mantido na sucessão hereditária.Agricultor, regularize-se se puder, se houver obstáculos procure-nos, vamos juntos dialogar sobre esta situação.
Sheila Costa
Assistente Social


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